O que acontece com o adiamento da Premier League e outras ligas de futebol pelo mundo?

Além do impacto sobre eventos, como a Copa do Mundo, crise provocada pela COVID-19 diminui a arrecadação financeira dos clubes devido à falta de público nos estádios

O rastro de paralisação deixado pelo coronavírus pelo mundo não atinge somente famílias, empresas e comerciantes, mas também os produtos premier das ligas futebolísticas mundiais. Em 19 de março, a Premier League, liga profissional de futebol da Inglaterra, anunciou a prorrogação da suspensão de jogos no país até 30 de abril.

Essa liga também apoiou o adiamento da Eurocopa, que ocorreria em 2020, mas foi posposta para o ano seguinte em função da pandemia. A Eurocopa é o principal campeonato entre seleções dos países da União das Associações Europeias de Futebol (UEFA, em inglês) e acontece a cada quatro anos, desde 1960.

Na Europa, apenas a Bielorrússia manteve os jogos do campeonato futebolístico nacional. A liga do país, situado no Leste Europeu, conta com 16 clubes e manteve os portões dos estádios abertos, contrariando as recomendações da Organização Mundial da Saúde de evitar aglomerações sociais para reduzir as chances de disseminação do coronavírus.

Em 31 de março, as autoridades internacionais de saúde já contavam mais de 41 mil mortes causadas pela COVID-19 em todo o mundo. Até esta data, contabilizou-se cerca de 828 mil contágios confirmados em 186 países, ou territórios, de acordo com a Agência de notícias AFP.

Adiamentos pelo mundo

O adiamento também foi visto em outros continentes. A Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) decidiu adiar a Libertadores da América, um dos principais campeonatos do continente, por tempo indeterminado. A Copa América foi postergada para 2021. Os jogos desse torneio estavam previstos para ocorrerem entre junho e julho, na Argentina e na Colômbia.

Em função da disseminação do coronavírus, a Turquia também suspendeu todos os campeonatos esportivos no país — desde futebol até basquete e vôlei. A data de retorno de tais competições ainda não foi definida e as autoridades do país aguardam o desenrolar do combate à doença nas próximas semanas.

O mesmo acontece nos Estados Unidos, onde a Major Soccer League, principal liga de futebol profissional do país, foi suspensa até o final de abril. Em entrevista ao canal FOX Sports, o médico virologista alemão Jonas Schmidt estima que a maioria das competições só retorne em 2021.

Impactos sobre os clubes e campeonatos

Adiar competições, como a Eurocopa 2020 e a Copa América, para o ano seguinte também terá impactos, ainda imprevisíveis, sobre as eliminatórias para a Copa do Mundo de 2022, que ocorrerá no Qatar.

A indústria do esporte depende profundamente de calendários. Antes das quarentenas que se espalham pelo mundo, houve alguns jogos sem público. A pandemia da COVID-19 retirou os torcedores dos estádios, o que impactou diretamente a disponibilidade financeira dos clubes de futebol.

De acordo com Guilherme Bellintani, presidente do Clube Bahia, o balanço financeiro do time aguenta, no máximo, três meses sem a renda advinda da presença do público nos estádios. Sem jogos, os clubes também correm o risco de perderem o contrato com as emissoras de canais da TV.

Uma proposta apresentada pela Comissão Nacional de Clubes é a antecipação de férias dos jogadores, até 21 de abril. Se os torneios continuarem suspensos após esse período, a remuneração dos atletas e da equipe técnica seria reduzida em 50% nos 30 dias seguintes.

Se a suspensão seguir nas semanas posteriores, a Comissão propõe a interrupção dos contratos de trabalho até o retorno dos torneios. A proposta de redução salarial não foi aceita pelos jogadores e a negociação segue sem resolução definida.

Influência sobre a economia

Outro fator importante é a taxa cambial. A desvalorização do real em comparação a moedas estrangeiras, como o euro e o dólar estadunidense, implica à pressão inflacionária, que reduz o poder de consumo de modo geral. Essa redução pode ser sensivelmente maior em atividades supérfluas, como o futebol, o que significaria queda de receitas com bilheteria e marketing

A crise econômica que pode chegar após a pandemia reduzirá o crescimento do PIB nacional. Nesse cenário, há menos investimentos publicitários, o que também reduz as receitas dos clubes brasileiros. Em suma: menos dinheiro nas mãos de torcedores reduz a quantidade de dinheiro nos caixas dos clubes.

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